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janeiro 11, 2021

Viver é correr atrás dos sonhos


VIVER...

Viver é correr atrás dos sonhos
Buscar entendimento das coisas
Ser da paz
Agradecer às dádivas recebidas
Buscar e fazer o bem
Estar sempre jovem.

Glória Dantas

Não quero...


Não quero que me idolatre, apenas que me entenda.
Que me escute quando eu pedir atenção.
Que compartilhe os momentos de tortura.
Quando meu coração clamar piedade, certamente...
Já ultrapassou os limites e chora silenciosamente.

Glória Dantas

janeiro 10, 2021

SAUDADE

SAUDADE

A palavra dita de forma errada, mal pensada,
 assusta a fantasia de um coração acuado, 
que tenta em silêncio catar cacos de esperança para sonhar.

 Gloria Dantas

Saudade

Saudade

 Não existe nada melhor que sonhar... 
A emoção do primeiro abraço, 
O beijo, o rosto corado, o corpo suado, o perfume no ar... 
 Teu caminhar apressado no desespero de me alcançar, como se eu fosse fugir... 
 Os olhos brilhantes e serenos, assim como de uma criança! 
Que saudade do raro momento que exige do meu coração recordar... 
 Momentos tão breves, mas de tamanha grandeza... 
que lamentei acordar!!! 

 Glória Dantas.

A PROCURA


 
 Andei pelos caminhos da Vida. 
Caminhei pelas ruas do Destino
- procurando meu signo.
 Bati na porta da Fortuna,
 mandou dizer que não estava. 
Bati na porta da Fama, 
falou que não podia atender. 
Procurei a casa da felicidade, 
a vizinha da frente me informou 
que ela tinha se mudado
 sem deixar novo endereço.
 Procurei a morada da Fortaleza. 
Ela me fez entrar: deu-me vestes nova,
 perfumou-me os cabelos, 
fez-me beber de seu vinho. 
Acertei o meu caminho. 

 Cora Coralina

A vigília do silêncio

 

 Apraz-me ouvir, às horas vespertinas, 
 Quando o ocaso desmaia o azul sidéreo,
 O longo cantochão das casuarinas 
 Na religiosa paz do cemitério. 

 As árvores, em múrmuras surdinas,
 De um rumor elegíaco e funéreo, 
 Falam de coisas mortas e divinas, 
 Veladas pelas sombras do mistério. 

 A perscrutar as vozes do arvoredo, 
 Na ânsia inquietante e céptica do sábio, 
 Tento, ó Morte! saber o teu segredo.

 Mas vejo, no alvo mármore das urnas, 
 O Silêncio com o dedo sobre o lábio, 
 Olhando as vagas solidões noturnas... 

 Da Costa e Silva

A Sombra do Salgueiro

 

 Porque fosses o sonho de ventura 
 Que eu tanto ambicionara e conseguira,
 Nunca julgara, nem jamais previra 
 O transe cruel que agora me tortura.

 Só a extensão de um grande mal sem cura
 Poderia mostrar que me iludira; 
 Que a ventura na vida é uma mentira 
 Sempre falaz àquele que a procura.

 Louco de dor, o espírito delira
 E a Castália das lágrimas apura 
 A emoção de infortúnio que me inspira... 

 Mas foi tamanha a minha desventura, 
 Que pendurei, muda e quebrada, a lira 
 No salgueiro da tua sepultura. 

 Da Costa e Silva

janeiro 09, 2021

DESEJO

(Minha Mãe, Dona Cândida) 
 
DESEJO

 Se Deus me permitisse eu colheria 
 Dos prados e jardins todas as flores;
 E num gesto de amor eu juntaria
 Da vida, a gostosura dos olores. 

 Olhando para o céu atrairia 
 Dos astros e estrelas luz e cores; 
 Da noite enluarada esta magia 
 De brancura sem par feita de amores. 
 
Eu traria pra mim a paz dos campos! 
 A orquestra invulgar dos passarinhos 
E todo o amor de um coração ardente. 

 Dos anjos, a candura e os encantos 
E a ternura cálida dos ninhos.
Pra dar a minha mãe como presente.

 Bernardina Vilar
 In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

No seu jardim


No seu jardim feito de tinta...
com insólita serenidade
o poeta percorre as áleas da memória
e caminhando por entre signos
contempla a distração nula do tempo
o paradoxo incrível do ser
a ferida íntima da alma


Ana Hatherly

MERGULHO




A chuva é baixa,
diminui o mundo dos homens.
O guarda-chuva toca o teto
do meu quase-amor, e oculta.
Dentro das águas
um peixe idêntico e sem cor vacila
entre a fácil maré e aquela sala
em que pulsa o néon domesticado.

Molhar os pés
enquanto os olhos inflam
e sobem à superfície.


A chuva passa.
Fecho o guarda-chuva atrás da porta.
No céu refeito, a vida continua horizontal.

Alcies Villaça
In: Viagem de Trem



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Destino




Destino
(Alberto Acosta-Pérez)

Absorto en la triunfal desarmonía de este cuerpo
que no tiene otro destino que morir,
y tal vez exhalar una o dos líneas hermosas sobre el papel,
me pregunto si todo estuvo mal,
si no hubo otro camino

No son dulces los antiguos recuerdos
sino espadas que se hincan
y dejan al aire los tendones.
¿Adónde marcha la belleza que se borra?
¿Adónde voy yo mismo?
Solo hay una certidumbre:
no nos veremos más allá,
no nos inclinaremos juntos otra vez sobre la hierba,
nuestros rasgos no se confundirán de nuevo en el espejo.

Como cualquier criatura
nos pudriremos solos al borde del camino,
entre dos pulsaciones,
con un clavo de oro hincado en las espaldas.

Alberto Acosta-Pérez
(La Habana, 1955-2012)


Alberto Acosta-Pérez, nasceu em Havana em 1955. Foi poeta, tradutor e promotor cultural, amplamente homenageado por sua obra com prêmios nacionais e internacionais. Escreveu numerosos livros de poesia, um romance e um volume de traduções de poetas romenos.
Faleceu no dia 1º de janeiro de 2012, em Havana.

Entre seus livros mais importantes está:

Éramos tan puros, 1992
Monedas al aire, Premio Los Pinos Nuevos en 1996;
Música vaga, Premio Nacional de la Crítica 2002;
Fotos de la memoria, Premio Nacional de la Crítica 2009, y
Experiencias de amor correspondido (antología personal), 2011.


Agradeço sua visita. 
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A um Poeta

Quem é esse que, em versos, minh´alma desperta
e que a faz se perder em mil tramas de amor?
Como pode entender a carência encoberta
e meu sonho mais caro em soneto compor?

Quem me vê tão desnuda e nas rimas me oferta
os anseios perdidos nas brumas da dor?
Quem me sabe encontrar de maneira tão certa...
quando eu não mais ousava venturas supor?

Quem me faz suspirar, quem meu peito acelera,
onde está esse alguém, que me exila na espera...
No desejo, saudade... onde achá-lo, afinal?

Ah!, Poeta... Eu quisera de ti ser a musa,
em teus braços viver para sempre reclusa,
embalada ao cantar de gentil madrigal!

- Patrícia Neme -

CHUVA



Do céu cinzento, chega a chuva fina...
Vem mansamente, quase em desalento.
E chove, chove... Nunca que termina...
É chuva d’água... Ou chove sofrimento?

A terra dorme sob a gris neblina,
o tempo para, já não canta o vento...
Nem leve sol, a vida descortina...
É chuva d’água, ou chuva de lamento?

E vão-se o dia, noite, madrugada...
E sempre a chuva, tão desalentada...
Minh’alma indaga às nuvens: até quando?

Até que exista paz, amor, verdade,
e todo humano viva a boa-vontade...
Não vês? Não chove... Deus está chorando!

- Patrícia Neme -

Cheiro de chuva



Cheiro de chuva, o vento canta... O céu se esconde...
Janelas guardam seu sorriso... A rua cala.
Portões fechados, raio irado... E não sei onde,
mansa viola, de saudade, à alma fala.

Ruge o trovão... Quem chamará? Ninguém responde...
Lágrimas, tantas... Na vidraça lá da sala.
Folhas correndo, a brincar de esconde-esconde...
Estranha tarde, que a viola, terna, embala.

Agora há pouco havia sonhos de verão...
Quem transformou-os nessa plúmbea solidão...
Por qual desdita retirou-se o sol de mim?

Ninguém o fez, responde a voz da consciência.
Ele partiu... E não suportas sua ausência...
E de tristeza, vês o mundo escuro, assim!

- Patrícia Neme -

SONHOS


SONHOS

A noite... A lua... Minh’alma está inquieta...
Meu eu, candente, é vida a despertar.
Sufoco a fêmea... Liberto a poeta,
pra versejar o que não sei calar.

Eu quero o abraço que me entranhe em ti,
quero teu corpo a recobrir o meu;
quero o delírio, que jamais senti,
na razão plena do teu apogeu.

Quero teu sol no mar do meu desejo,
qual fora o ocaso, em seu final arquejo...
Fusão suprema de um amor sem fim.

A noite... A lua... Sonhos... Madrugada...
Olho ao redor... E não te encontro... Nada...
Findou o verso que eu teci pra mim.

- Patrícia Neme -

janeiro 08, 2021

Fui Feliz






FUI FELIZ
(Genaura Tormin)

Imagens guardadas,
Perpetuadas em fotografias.
Histórias de uma vida!
Registros já amarelados,
De lembranças vividas.

Amores, sucessos,
Dificuldades e procelas,
Marcos construtores,
Que me abriram tantas cancelas.

De muitos papéis fui atriz.
E se tivesse que partir agora,
Não lamentaria nada que fiz.
Porque, simplesmente,
FUI FELIZ!

"Quando a gente gosta, a gente começa emprestando um livro, depois um casaco, um guarda-chuva, até que somos mais emprestados do que devolvidos. Gostar é não devolver, é se endividar de lembranças." Fabricio Carpinejar

janeiro 07, 2021

Anota aí

"Anota aí para seu futuro: desapegar das pessoas, se importar menos, não se abalar por nada nem ninguém. Correr atrás daquilo que faça seu coração vibrar, ficar perto de quem te quer bem. Correr atrás dos seus sonhos, se amar mais. Esquecer tudo aquilo que te faça mal."

Caio Fernando Abreu

NOITE SONORA

NOITE SONORA

Anoiteceu. Pelas montanhas veio
Lentamente o crepúsculo caindo ...
O céu, redondo e claro como um seio,
Ficou, de lindo que era, inda mais lindo.

O vale abriu-se em pirilampos cheio,
Luzindo aqui, e ali tremeluzindo ...
No regaço da treva, úmido e feio,
A natureza adormeceu sorrindo ...

As cigarras, na sombra, se calaram:
As árvores no bosque farfalharam
Na esperança de ouvi-Ias e de vê-las.

Caiu de todo a noite quieta ... Agora,
O céu parece uma árvore sonora
De cigarras cantando nas estrelas ...


Olegário Mariano
em Últimas cigarras (1920)

novembro 13, 2016

É noite em teu jardim, Mãe...




Pouca memória.
Tão clara e doída tanta.
Foi recente.
Mas tanto tempo faz que se foi.
Partiu em manhã de chuva.
Minha mãe partiu.
O único momento em que não se repartiu.
A sua morte não repartiu.

Disse um dia:
viver é um jardim precário.
Mas vejo no meu jardim
a eternidade do jasmim.
Porque é belo e eterno.
E porque é belo o jardim.

Sim! O dia amanhece.
Todos os dias.
Por trás dos montes
que vejo de teu jardim.
E toda manhã
o vizinho passa em frente da casa
e não te acena mais.
nunca mais.
Acena para o jardim vazio,
por hábito, medo da morte, espanto.
E pela luz do dia
que ainda freme
de teu canto.

E mesmo assim
é noite em teu jardim.
Por mais que amanheça,
por mais que amanheça.

Lindolf Bell
In ‘Código das Águas’