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janeiro 08, 2021

Fui Feliz






FUI FELIZ
(Genaura Tormin)

Imagens guardadas,
Perpetuadas em fotografias.
Histórias de uma vida!
Registros já amarelados,
De lembranças vividas.

Amores, sucessos,
Dificuldades e procelas,
Marcos construtores,
Que me abriram tantas cancelas.

De muitos papéis fui atriz.
E se tivesse que partir agora,
Não lamentaria nada que fiz.
Porque, simplesmente,
FUI FELIZ!

abril 06, 2012

POEMA RECLUSO


POEMA RECLUSO
(Genaura Tormin)

No horizonte,
Moribundo se curva o sol poente.
Um dia a mais passou sem que eu te visse.
O poema recolheu-se medroso
Ao frio de minha tristeza.
Tudo extremamente só!

Os momentos se arrastam
E a nossa música agoniza,
Chegando a ferir os meus ouvidos.
Há um marasmo no ar.
Um gosto fúnebre,
Uma carência dolorida.
Tudo tão eterno, feito a saudade tua.

Não há aroma de flores,
Nem cantar de pássaros...
O vento está parado,
Nem sibila a ramagem lá fora.
Apenas a companhia de fantasmas.

Parece o fim!
Faz frio na alma,
E congelado está o amor
Nos compartimentos de mim.

novembro 02, 2010

AMOR INGLÓRIA



AMOR INGLÓRIA
(Genaura Tormin)

Eu queria te dar tanto carinho!
Esperar-te à sombra daquele ipê florido,
Bem pertinho da lagoa, lá curva do caminho.

E no aconchego de almas em desatino,
Num último beijo, selar a nossa história,
Ao arrepio da maldade do destino,
Que nos lançou a um amor inglória.

No desalento, ao romper da aurora,
Esse amor tão grande morrerá sozinho,
Em retalhos dispersos pelo vento frio,
Numa campa abandonada à beira do caminho.

abril 23, 2009




EVIDÊNCIA
(Genaura Tormin)

No silêncio
Lamentos tardios
E escusas do que se foi.
O cérebro confunde
Os desejos esquecidos.

O tempo está parado,
O vento não encanta,
Como outrora,
Porque as flores
Já não exalam perfumes.

Não há espera...
Ela não é necessária.
Os dias são normais.
O querer se foi
Com o entardecer
Numa revoada de pássaros.

Mesmo assim,
Eu sinto frio.
Tudo está tão só!
No silêncio,
Respostas de perguntas
Feitas ao nada.

abril 15, 2009

Do amor que eu tive

Tela por Maria Sherbinina

Do amor que eu tive
(Genaura Tormin)

Quando a saudade invadir teu peito,
Saias ao desalento do tempo,
Numa noite fria.

Parceira,
Terás a lua medrosa
A passear no céu,
A carícia do vento
A beijar-te o rosto
Ainda marcado
Pelos beijos meus.

No silêncio da noite
Ouvirás sussurros.
Não te assustes!
Sou eu!

Estarei no lamento da cotovia,
Na tristeza da cascata,
No chilchear de aves notívagas,
Para recordares
Do grande amor que te ofertei um dia.

abril 08, 2009

Feliz Páscoa


Nesta Páscoa,
Vou enviar a todos
Um montão de flores,
De todas as cores,
Para significar mudança,
Aumento da esperança...

Numa cesta de vime,
Envolta em sorrisos,
Enfeitada de estrelas,
Seguirão ovos de chocolate,
Recheados de mil desejos.
Sonhos, magia e beijos.

Uma melodia falará de amor.
Quem sabe,
John Lenon me ajudaria
A bordar os versos,
Desenhar a poesia
Para tudo transformar
Em laços de amor e alegria.

Genaura Tormin

março 31, 2009

MARIPOSAS COMPANHEIRAS



Seguimos a mesma rota,
Feito pássaros alados
Borboleteando o espaço,
Almejando o topo do mundo.

Somos mariposas companheiras
Buscando a claridade!
Somos as nossas verdades
Tentando ascender o porvir,
Na construção de nós mesmos,
Para depois seguir.

Genaura Tormin

março 28, 2009

SEMEAR



Nuvens alvissareiras
No céu sem limites.
Na bagagem:
O sol matreiro,
A chuva dengosa,
O silêncio dos montes,
Flores e fontes,
O aconchego da noite...

Amplidão cósmica,
Beijos aninhados
No perfume da brisa,
No lamento da saudade...
Tudo é liberdade,
Paz,
Felicidade.

Pássaros viajores
Permeiam a paisagem,
Semeando a ternura do afago,
Doce transparência da imagem.
E a oração se faz
Na doçura do olhar,
No desejo de amar,
De ser bom,
De multiplicar...

Genaura Tormin,

MUNDO DE FANTASIA


Sonhei que a vida era diferente.
Cheinha de coisas boas, muita alegria,
Bondade e sabedoria.
E as pessoas eram contentes.

Vivendo a minha fantasia,
Fechei os olhos e vi, por um momento,
Os prados, as flores e o firmamento
A comungarem conosco a harmonia.

Sonhei com a dignidade,
E vi os mendigos abrigados,
Bem vestidos e alimentados,
No exercício da cidadania.

Era um mundo de magia,
Sem dor, sem fome, sem horror.
Somente a voz do amor,
Essência holística da sabedoria.

Genaura Tormin

março 27, 2009

E O VENTO NÃO LEVOU MESMO!


Um tornado arrancou portas,
Matou sonhos, abalou desejos,
Revirou a casa, modificou costumes...
Levou os passos andejos.

No canto da vida, tudo quebrado,
Esfacelado no peito da agonia.
Sem conserto para tanto desmantelo,
A tristeza fazia companhia.

Mas o tornado passou!
E o vento não levou a bravura,
A coragem para reconstruir,
Reinventar passos, alar a mente,
Conquistar vida e seguir em frente.

E o que era uma casinha,
É hoje um castelo à beira da estrada,
Cheio de versos, de alegria,
Na fantasia da jornada.

Genaura Tormin

AMIZADE VIRTUAL


Configurada em bites,
Fluem as palavras,
Em códigos grafados.
Dedilhados no teclado,
Anima a tela quadrada
Do computador.

Acreditar e sorrir!
Ver o humor se agigantar.
Sentir-se feliz.
Agradecer a amizade,
E tentar retribuir,
Bordando a tela de cores,
Para multiplicar amores.

Tantas trocas afetivas,
Carinhos somados,
Tristezas divididas,
Numa mesinha solitária
No canto da sala.

Não há classe social,
Nem grife na vestimenta...
Isso não é necessário!
O que importa
É o ombro amigo,
No cultivo da felicidade,
Entre os elos da virtualidade.


Genaura Tormin

março 26, 2009

MASMORRA FRIA


Abri hoje a caixa
Do meu passado!
Muitas lembranças,
Imagens guardadas,
Perpetuadas em fotografias
Já amareladas,
Envelhecidas.
Um caminho de volta!
História de uma vida!

Um filme que se rebobina
Na mente conturbada,
Rodeada de fantasmas.
São restos de alegrias
Enclausurados em celas,
De uma masmorra fria.
Arcabouços de estrutura vazia
Que fenece no tempo.
Para renascer um dia.


Genaura Tormin

março 24, 2009

TENHO O CORAÇÃO EM FESTA


TENHO O CORAÇÃO EM FESTA
(Genaura Tormin)

É manhã aqui!
Um gosto de aconchego
Ainda me enlaça a cintura.
Teu rosto em mim esculpido,
Estampa-se em tudo que vejo.
O nevoeiro cobre a colina
E acaricia-me a pele,
Ainda molhada pelos teus beijos.

Envergonhado,
Nasce o sol no horizonte.
Sonolento,
Rompe brumas e escarpas,
Boceja intimidades,
Com gosto de fruta madura.

Solfeja votos de bonança,
Bordando a copa do arvoredo
De raios multicores.
Canta para me açoitar o medo,
Acalentar tantas juras,
Guardadas aqui no peito.

Há uma sinfonia no ar.
Os pássaros saltitam nos galhos.
Parecem me saudar.
Tenho o coração em festa.
É místico poder amar!

LUTO


LUTO
(Genaura Tormin)

Não há conserto
Para tanto desmantelo,
Nem oficina
Achará o defeito.

Inútil!
Nada a fazer!
Ciclo encerrado,
Porta fechada.
Tudo arqueja no tempo,
E o relógio não pára.

As mãos seguem vazias,
E por companhia,
Um passeio fúnebre
Conta a história,
Em desbotada policromia.

Foram-se os devaneios,
A lira, a fantasia,
Os versos e a canção.
Luto é o que resta.
Morto está o CORAÇÃO!

março 23, 2009

UM AMIGO


UM AMIGO
(Genaura Tormin)


Um amigo é mais que um colega.
É quase um irmão.
Um amigo de verdade, é claro!
E eles são tão poucos!
Um amigo é um presente,
um relax, um confidente.
Aguça a memória,
relembra o passado,
projeta futuro,
aconselha o presente,
e é um aliado contra os perigos.

A constância de um amigo
é comprovada pelo tempo,
pela solidariedade
de cada momento
que se acumula,
enriquecendo a vida,
vencendo dificuldades,
fazendo felicidade.

Um amigo divide o lanche,
a piada, as risadas, as fofocas..
Divide as experiências,
as conquistas, as dores,
as culpas e os segredos.

Não desculpa nada,
mas perdoa tudo.
Um amigo cobra,
xinga, adverte e critica.
Mas empresta o colo,
a palavra, o sorriso,
a cumplicidade e o incentivo.

Está sempre junto na dor,
presente na alegria.
É causídico ferrenho na defesa,
embora a bronca venha depois.

Um verdadeiro amigo
não segura apenas a mão.
Enfrenta o caos, a solidão,
a depressão,
o copo vazio e a paixão.

Um amigo vibra com o sucesso,
e ampara nos fracassos,
indicando saídas, construindo caminhos.
Um amigo de verdade, é claro!

RETROSPECTO


RETROSPECTO
(Genaura Tormin)

Pintando estrelas,
contando estórias ao vento,
corro pelas ruas,
pelas casas brancas
a falar de mim.

Escancaro a boca,
num sorriso brusco.
Grito mais alto que os trovões
e ninguém me escuta.

Falo de felicidade...
essa felicidade
que quando vem,
me assusta.

Volta tão depressa!
Mal sinto que ela veio.

Fico triste.
A tinta das estrelas
era lavável
e a chuva tirou.

O vento soprou tanto,
esquecendo as estórias
que gritei
aos quatro cantos.

O sorriso,
transformou-se em choro.
Tudo ficou triste.
A felicidade se foi.

SAUDADE ALTANEIRA


SAUDADE ALTANEIRA
(Genaura Tormin)

Gosto de ti
saudade louca,
desvairada e atrevida.
Saudade altaneira
sem eira nem beira.
Saudade de menina,
saudade fagueira.

Gosto de ti
nas noites densas,
nas tardes quentes
ou no pôr-do-sol

Saudade querida
que me aperta o peito,
me deixa sem jeito
com lágrimas nos olhos.

Mas,
gosto de ti!
Viajo nas tuas asas,
pego carona no vento
e consigo
fabricar felicidade.

março 22, 2009

SOU SAUDADE

Tela de Berthe Morisot

SOU SAUDADE
(Genaura Tormin)

Sou a brisa sorrateira
Que te beija as faces,
Sou a chuva no telhado,
Solfejando uma cantiga
Para te acalentar.

Sou a paz,
Sou o silêncio
Numa noite de lua cheia.
Mas sou a lágrima abafada
Na emoção que escapa.

Transmudo-me em versos,
Visto-os de palavras.
Galopo em liberdade.
Eu sou a própria SAUDADE!!!

REDE NEURAL


REDE NEURAL
(Genaura Tormin)

Há mutações,
Autoconhecimento,
Na esquina do tempo.

Na visão de nós mesmos,
Há um mar de sinapses,
Em bites imersos,
Sensorialmente conectados.
A mente em sintonia
Cria o Universo.

Não há dogmas!
Num conceito de Unidade
O pensamento é tudo,
Absoluto.
É ensaio mental,
Força propulsora
No lóbulo frontal,
Altaneiro e soberano
Na rede neural
Do Ser Humano.

MAROLA, VELEIRO E VENTO


MAROLA, VELEIRO E VENTO
(Genaura Tormin)

Céu azul,
Mar revolto,
Alcatifa dos sonhos meus!
Viajo no galope da saudade.
Volto no tempo!
Cheiro de maresia,
Marolas, veleiros...
Vento cantarolando
Na copa dos coqueiros...

O verde da esperança,
E eu, feito criança,
Correndo pela branca areia,
Às carícias das brumas fugidias,
E ao som da ventania.
Ah, eu era só alegria!

As ondas quedavam-se
Ante os pés andejos, dançarinos.
Em coro,
Pássaros entoavam hinos,
Em coloridos gorjeios.
O céu bordado de nuvens viajeiras.
Uma tela de rara beleza,
Numa manhã fagueira.

Hoje,
Desnudo de adereços,
O vento ainda canta para mim.
Parece que ouço o rumorejo,
Daquele vento gostoso,
Que me bordava de beijos.