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março 20, 2009

MEDITANDO



MEDITANDO
(Genaura Tormin)

Dia comprido,
Sem sol,
Sem flores,
Sem amores.

Frio no tempo,
Cansaço,
Loucura,
E na alma,
O muito que apavora.

Em tudo,
A saudade que queima,
A lâmina que fere,
O frio que aumenta,
A lágrima que cai
E a dor do irreversível.

março 19, 2009

RECONSTRUÇÃO



RECONSTRUÇÃO
(Genaura Tormin)

Desmorona o castelo,
Esfacela-se a vida!
O querer arqueja no tempo.
Há um gosto de morte no ar.

Dos escombros
Emerge um coração,
Reconstrói a obra,
Dá formas,
Essência
E vida.

Os olhos brilham,
O peito pulsa,
E a fêmea aparece,
Rebelde,
Ouriçada,
No cio,
Conquistada.

De novo,
O amor se vai,
A mágoa fica,
A vida passa.

Reconstruir
É a profissão,
Ainda que o castelo
Não tenha teto.

NOVOS CICLOS


NOVOS CICLOS
(Genaura Tormin)

Etapa finda!
Passou!
Porta fechada.
Ciclo encerrado.
Esqueça!
A ordem é seguir adiante,
Não chorar o leite derramado.

Sofrer pra quê?
Deixe que o novo aconteça!
Abra espaço,
Prepare a mente!
Seja contente!

Cresça e apareça
Firme e forte!
Outra empreitada.
A vida é um jogo!
Não se ganha sempre.

A perda enrigece
A couraça da coragem,
E o sofrimento
Fortalece o equilíbrio
Para outros afazeres,
Outros amores,
Novos ciclos,
Vida nova!

VULTO DE MULHER


VULTO DE MULHER
(Genaura Tormin)

Em tudo que fiz
Deixei um pouco de mim:
Um sorriso,
Um gesto,
Um olhar...

Não fiz muito,
Eu sei.
Mas,
Os poucos fragmentos
Ecoarão no ar,
Cantando a saudade
E o meu jeito de amar.

Por isso,
Serei tão simples
E partirei tão sutil,
Tão sozinha,
Que no silêncio,
Serei,
Apenas,
Um vulto de mulher.

DESINTEGRAÇÃO



DESINTEGRAÇÃO
(Genaura Tormin)

Sou o linguajar mudo
Dos que já não podem falar.
Sou parte dos que olham sem pedir.

Sou a desintegração
Brincando de ninar.
Sou o sentimento que não persistiu
Nos longos braços da espera.

Sou os gritos sem eco
No desconexo
De uma vida inteira.

MENSAGEM


MENSAGEM
(Genaura Tormin

Nos muros da vida
pichei a mensagem,
detalhei a imagem,
rasguei preconceito
e despi a alma.

Nos muros de mim,
enfrentei a navalha,
venci a batalha,
ergui a medalha
e me tornei campeã.

O Mar e a Rocha





O mar se entrega à rocha sem receios
e a cobre com espuma virginal.
E lhe acarinha todos os permeios,
e a ama, como nunca amou igual.

Lhe conta dos seus mais sutis anseios,
lhe fala desse amor, já outonal...
E a cerca com seus mil e um meneios...
E lhe oferece todo o seu caudal.

Porém, sempre centrada em sua essência,
ela não se permite a experiência
de se entregar aos braços desse amor.

E perde um oceano de venturas,
e mais e mais conhece as amarguras,
de quem jamais permite su'alma expor!


- Patrícia Neme -

ARQUITETA DE MIM


ARQUITETA DE MIM
(Genaura Tormin)

Vou reinventar a vida!
Fazer consertos,
aplicar remendos.
Prenha estou de disfarces
e esgueiram-me pelos poros
a plangência do tempo,
restos de batalhas
que se reiniciam sempre.

A incoerência dos retalhos
fragmentam-se pelos dias.
Recolho os estilhaços.
Sou enigma,
sou incógnita no existir!
Fabrico fantasias
e metáforas.

março 18, 2009

ABA DA SERRA


Tudo em ti me fascina!
O Sol que te queima, a chuva que te renova.
A alegria da passarada ao amanhecer,
e a melancólica despedida ao fim do dia.

Tuas árvores contam histórias de mim,
que só tu conheces, e os teus riachos
cantarolam as minhas saudades.

Cada folha que cai, cada ramo que nasce,
renovam o meu amor por ti,
e me levam de volta ao meu mundo.

Amo teu solo... O solo que me viu nascer.
Sou parte de ti. Tua composição está em mim,
entranhada na minha pele e em minha alma.

Onde quer que eu esteja, é em ti que estou!
Ainda que eu vá ao fim do mundo,
é em ti que eu viverei para sempre.

Regina Helena

março 17, 2009

SEGREDO



SEGREDO
(Genaura Tormin)

Quero apenas
meu olhar trigueiro,
meu jeito feiticeiro,
uma música clássica,
um copo de vinho
e um pedaço de estrela
para te dar,
te conquistar
e te fazer meu homem.

Brisa soprando,
cabelos desalinhando
e a lua testemunhando
te ensinarei o caminho,
te entregarei o troféu.

No silêncio,
teremos nuvens por leito,
rasgaremos preconceitos,
trocaremos enzimas,
uniremos genes,
pra desvendar o segredo.

FANTOCHE



FANTOCHE
(Genaura Tormin)

O mundo está parado.
O cérebro inerte,
não pensa,
não reclama,
nem mesmo fala,
apenas existe.

Não tem vontades.
Elas não existem para ele,
pois é fantoche
e brinca de teatro.

Sorri,
chora,
e se extravasa em versos
a ver navios que passam.

A jornada é longa,
o caminho comprido
e o cansaço não pode chegar
ao palhaço que não para de rir,
porque é,
simplesmente,
um FANTOCHE CONVENCIONAL.

ESPERO-TE



ESPERO-TE
(Genaura Tormin)

Espero-te,
porque sei que virás!
Lindo,
como o vejo em pensamento.

Tu, que me dás saudades,
tu, que não conheço,
serás meu,
somente meu.

A ti,
contarei dos dias de vigílias,
e falarei das noites de saudades.

Sei que tu virás um dia,
e meu mundo
será de muitas cores.

Tu,
meu amor,
serás realidade,
eu sei.
E é por isso,
que não me canso
de te esperar sempre,
no calor dos dias,
no frio das madrugadas...

Quando chegares
tudo será dourado,
cheio de encanto,
sem pranto.
E essa saudade louca,
que de ti eu sinto,
será esquecida
com a tua presença.

Tu,
insubstituivelmente tu,
serás meu!
Serás ternura!
Quando, então,
eu serei tua, amor!

DESENCONTRO


DESENCONTRO
(Genaura Tormin)

De saudade,
extravasei-me em lira,
tornei-me eco
pela noite escura.

Corri pelas caladas,
venci distâncias
e senti-me junto a ti.

O peito em ânsia,
a voz em desconexo,
o cérebro parado,
eu esperava imóvel
a tua presença,
na gostosura
de saber-te junto a mim.

E eu te amava,
mais ainda...

Mesmo assim
te foste,
sem perceberes
que eu estava ali.

LEGADO



LEGADO
(Genaura Tormin)

Não vou esquecer
o frio da linguagem,
o rosto da imagem,
a lâmina que mata.

Aceitarei tudo,
concreto ou abstrato,
com o mesmo canto,
a mesma gargalhada
que me fazem forte,
capaz de cantar a morte
e repuxar-lhe a boca de palhaço.

Com sangue,
deixarei gravados,
a dor e a ternura,
marcos indeléveis
dessa caminhada.

SUBLIMAÇÃO



SUBLIMAÇÃO
(Genaura Tormin)
Viver
é realizar-se,
amar,
sofrer,
resistir.

Realizar-se
é não se subjugar:
é ser forte ou frágil,
quando precisar.

Realizar-se é,
antes de tudo,
ousar,
trabalhar,
sublimar para não chorar,
diante do que não se pode mudar.

SAPATINHO


SAPATINHO
(Genaura Tormin)

Foi um presente,
o sapatinho
único,
sozinho,
que baila com o vento,
aguçando a memória.

Seu solado branco,
ileso,
aperta-me o peito,
tortura-me o ser,
marejam-me os olhos.

Sapatinho marron,
companheiro constante,
paradoxo do meu bailado:
o que vive apensado ao chaveiro
da porta do meu quarto.

______________________

_ Você vai voltar a andar, mamãe! Palavras do Frederico, que à ocasisão contava 6 anos de idade, ao me entregar o presente.

AO MEU REI


AO MEU REI
(Genaura Tormin)

Com argila,
tentei esculpir-te
a silhueta.

Grande fiz o teu coração,
as entranhas pulsantes
e a ternura desses olhos
que dão vida aos meus instantes.

Alonguei-te as têmporas,
marquei-te os lábios
e sincronizei as palavras
com as batidas quentes
do meu peito.

E,
eis que estava pronto
o meu Rei.
Austero, porém humilde,
forte mas dócil,
gigante,
mas capaz
de se tornar criança.

MENTE E CORAÇÃO ANDANTES




MENTE E CORAÇÃO ANDANTES
(Genaura Tormin)

Quero curtir minha imobilidade,
Mobilizando corações,
Marcando passadas
Em cada gesto,
Em cada grão de areia
Carreando-os para o infinito.

Quero sentir o gosto de ter pernas.
Acariciá-las, com tato dos dedos,
Mobilizando todas as moléculas.
Quero sentir-me dançando
Ao som de Beethoven ou Bach,
Transando a paz de minha paraplegia
Ao compasso do coração
E à sincronia do cérebro.

Quero andar,
Mais do que todas as pessoas,
Embora saiba que,
Se externamente não marco o chão
Com minhas pegadas,
Meu espírito se alicerça
Em pernas fortes, com mente e coração
Energicamente andantes.

março 16, 2009

SILHUETA



SILHUETA
(GenauraTormin)

Abrir o coração,
falar de ti,
cobre-me a alma
de lembranças queridas,
que repasso
feito um rosário.

Você chegou,
marcou meu mundo,
e se foi,
qual revoada de pássaros.

A canção, ainda ouço,
feito soluços guardados,
ou a sonoridade
de uma solidão,
a lembrar
as manhãs do nosso tempo.
Um silêncio,
um olhar
bastaram
para que se fizesse noite.

Um tornado
levou-te para longe.
A inclemência do frio
congelou a alma,
fragmentou a vida.

SE EU QUISESSE...



SE EU QUISESSE...
(Genaura Tormin)

Se um dia
eu quisesse te esquecer,
não poderia.
Se eu pudesse,
jamais quereria.

Porque eu te amo tanto,
que sem ti,
o sentido de viver
se perderia.

Quando estou sozinha,
tu me vens à mente.
E vens lindo,
sorridente e provocante.

E, a cada vez,
estou te amando mais.

Se é loucura,
eu amo essa loucura,
juro, juro!
Prefiro ser louca,
e te amar sempre,
a ter um coração vazio
e um desejo interminável de viver,
e ver passar em brancas nuvens,
essa loucura linda
que me escraviza o peito.

Por isso,
eu te amo muito.
E a cada vez mais,
sinto que se agiganta em mim
este desejo sem limites
de te querer demais.