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agosto 08, 2012
Ó PESO DO CORAÇÃO! ...
Ó peso do coração!
Na grande noite da vida,
teus pesares que serão?
A sorte amadurecida
resplandece em minha mão:
lúcida, clara, polida.
Nem saudade nem paixão
nem morte nem despedida
seu brilho escurecerão.
Na grande noite da vida
brilha a sorte. O coração,
porém, é a dor desmedida.
Maior que a sorte e que a vida...
Cecília Meireles
In: Canções
agosto 02, 2012
SAUDADES
Ao Sol, beijada pela ventania,
De áureas flores e pássaros coberta,
Farfalhando, aquela árvore se erguia.
Quando o Sol, pelo azul, a chama experta,
Como um jalde crisântemo - se abria,
Cantava logo um rumor d'asa, e, alerta,
Logo o bando de pássaros a enchia.
Era toda rumor. Suaves, bailando
Em torno, havia, namoradas dela,
Borboletas intrépidas, em bando.
E, do chão, como fúlgidas centelhas,
Insetos de ouro vinham ver aquela
Doce amiga de pássaros e abelhas.
Humberto de Campos
In ‘Poesias Completas’
julho 29, 2012
A VOZ DA SAUDADE
Se cai a noite plácida, serena,
Tão branca de luar — doce magia...
A carícia da brisa torna a cena,
Num requinte envolvente de poesia.
O azul do céu de uma beleza extrema
Povoado de estrelas irradia,
E qual o encantamento de um poema
Faz palpitar sutil melancolia.
No Coração da mata um mocho pia
Rompendo a solidão num tom dolente,
Como um canto de amarga soledade.
E o coração da gente silencia
Porque mais alto que sua voz ardente
Fala a voz merencória da saudade.
Bernardina Vilar
Tão branca de luar — doce magia...
A carícia da brisa torna a cena,
Num requinte envolvente de poesia.
O azul do céu de uma beleza extrema
Povoado de estrelas irradia,
E qual o encantamento de um poema
Faz palpitar sutil melancolia.
No Coração da mata um mocho pia
Rompendo a solidão num tom dolente,
Como um canto de amarga soledade.
E o coração da gente silencia
Porque mais alto que sua voz ardente
Fala a voz merencória da saudade.
Bernardina Vilar
SAUDADE
Saudade é o longo espaço do momento
Em que murcharam nossas esperanças
É o sonho que restou no pensamento
Como uma apoteose de nuanças.
Saudade é conservar bem vivo, atento
O amor passado, cálida lembrança!
É contemplar sozinho ao desalento
A extrema solidão que em nós descansa.
Saudade é um coração pulsante forte,
Palpitante, ansioso, inconsolável
Por ver o aproximar de uma partida.
E ser logo atingido pela morte
De seu amor tão grande, inigualável,
Consumindo num adeus de despedida.
Bernardina Vilar
Em que murcharam nossas esperanças
É o sonho que restou no pensamento
Como uma apoteose de nuanças.
Saudade é conservar bem vivo, atento
O amor passado, cálida lembrança!
É contemplar sozinho ao desalento
A extrema solidão que em nós descansa.
Saudade é um coração pulsante forte,
Palpitante, ansioso, inconsolável
Por ver o aproximar de uma partida.
E ser logo atingido pela morte
De seu amor tão grande, inigualável,
Consumindo num adeus de despedida.
Bernardina Vilar
SAUDADE
Saudade! Um campo santo palmilhado
De cruzes toscas entre pobres flores...
Um quadro de amarguras retratado
Na tristeza, na dor, nos dissabores.
Saudade! A voz de um sino pendurado
Na torre da igrejinha, em estertores
E um jasmineiro branco, recurvado,
Flores pendentes, emanando olores.
Saudade! Um ser transpondo de mansinho
A vereda silente de um caminho
Que o conduz ao mais árduo desencanto.
E ali tremente em palpitante anseio
Sente pulsar as convulsões do seio
Que o faz rolar um copioso pranto.
Bernardina Vilar
SAUDADE
Saudade é a oração que nós rezamos
Com os olhos presos na recordação
Avivando as lembranças que guardamos
Bem no escrínio do nosso coração.
Saudade é a melodia que entoamos,
De uma ária, doce emoção
Angústia dolorosa que provamos
Num momento de atroz separação
Saudade é um lenço branco tremulando
Uma palavra – adeus – na despedida,
Uma lágrima a brilhar em nossos olhos.
Saudade é o dia-a-dia transformando
Um sonho acalentado em nossa vida
Num pesadelo feito só de escolhos.
Bernardina Vilar
Com os olhos presos na recordação
Avivando as lembranças que guardamos
Bem no escrínio do nosso coração.
Saudade é a melodia que entoamos,
De uma ária, doce emoção
Angústia dolorosa que provamos
Num momento de atroz separação
Saudade é um lenço branco tremulando
Uma palavra – adeus – na despedida,
Uma lágrima a brilhar em nossos olhos.
Saudade é o dia-a-dia transformando
Um sonho acalentado em nossa vida
Num pesadelo feito só de escolhos.
Bernardina Vilar
SAUDADE
Saudade. Lua cheia se elevando
Pelos azuis dos céus em noite mansa
Prateando os espaços e espalhando
Sobre a terra a luz branca da bonança.
Saudade. Estrada longa procurando
Achar na mata o verde da esperança.
E o seresteiro ao violão cantando
De um mistério insondável, uma lembrança.
Saudade. O grito agudo de um lamento
Que se mistura ao sibilar do vento
E bate em cheio em nosso coração...
... A sublime visão de quem amamos
Que fugindo de nós nunca alcançamos
Mesmo retida na recordação.
Bernardina Vilar
Pelos azuis dos céus em noite mansa
Prateando os espaços e espalhando
Sobre a terra a luz branca da bonança.
Saudade. Estrada longa procurando
Achar na mata o verde da esperança.
E o seresteiro ao violão cantando
De um mistério insondável, uma lembrança.
Saudade. O grito agudo de um lamento
Que se mistura ao sibilar do vento
E bate em cheio em nosso coração...
... A sublime visão de quem amamos
Que fugindo de nós nunca alcançamos
Mesmo retida na recordação.
Bernardina Vilar
SAUDADE
Saudade é aquela estrela cintilante
Que fugiu, se apagou tão de repente
E no percurso de um vagar errante
Fez da nossa alegria, dor latente.
Saudade é a ilusão do eterno instante
Vibrando forte, audaz, dentro da gente,
Sentimento ferino, estonteante,
Em nosso íntimo agindo docemente.
Saudade é um silêncio tenebroso,
Frio, agreste, fatal, misterioso
Que nos fere, maltrata e acalenta.
Saudade é a tristeza de um momento
Rodopiando em nosso pensamento
Tornando nossa vida em morte lenta.
Bernardina Vilar
In ‘Bom dia Saudade’ (1995)
Que fugiu, se apagou tão de repente
E no percurso de um vagar errante
Fez da nossa alegria, dor latente.
Saudade é a ilusão do eterno instante
Vibrando forte, audaz, dentro da gente,
Sentimento ferino, estonteante,
Em nosso íntimo agindo docemente.
Saudade é um silêncio tenebroso,
Frio, agreste, fatal, misterioso
Que nos fere, maltrata e acalenta.
Saudade é a tristeza de um momento
Rodopiando em nosso pensamento
Tornando nossa vida em morte lenta.
Bernardina Vilar
In ‘Bom dia Saudade’ (1995)
julho 26, 2012
SAUDADE
Saudade . . .
Melodia perdida
no espaço . . .
Nostalgia
envolvente
na solidão
do quarto . . .
Diálogo
com o tempo
que já foi . . .
Saudade . . .
Tela do cinema
da vida . . .
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
Melodia perdida
no espaço . . .
Nostalgia
envolvente
na solidão
do quarto . . .
Diálogo
com o tempo
que já foi . . .
Saudade . . .
Tela do cinema
da vida . . .
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
FRAGMENTO VIDA
Postais,
envelopes,
letras,
capitulo
de história
vivida,
amigos
à distancia. . .
A vida
se compõe
de pedacinhos
de saudade. . .
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
envelopes,
letras,
capitulo
de história
vivida,
amigos
à distancia. . .
A vida
se compõe
de pedacinhos
de saudade. . .
Delores Pires
In: A Estrela e a Busca
julho 25, 2012
A GENTE SEMPRE SE AMANDO
A gente sempre se amando
nem vê o tempo passar.
O amor vai-nos ensinando
que é sempre tempo de amar.
Carlos Drummond de Andrade
In Poesia Errante
O MISTÉRIO
Quem sentiu a angústia verdadeira?
Quem penetrou o fundo dessa dor?
Tomam todos o brilho da lareira
pela estrela (tão alta!) do pastor ...
Soluçando e cantando é que a alma inteira
escondes por orgulho ou por pudor,
para guardá-la, assim, da humana poeira,
dentro desse mistério redentor!
Nunca ninguém te soube ver, disperso
no teu canto sentido, a dor que avulta
dia a dia ... O secreto, íntimo mal,
que é presente e invisível no teu verso,
como o perfume de uma flor oculta
como Deus na grandeza universal! ...
Tasso da Silveira
in Poemas
Quem penetrou o fundo dessa dor?
Tomam todos o brilho da lareira
pela estrela (tão alta!) do pastor ...
Soluçando e cantando é que a alma inteira
escondes por orgulho ou por pudor,
para guardá-la, assim, da humana poeira,
dentro desse mistério redentor!
Nunca ninguém te soube ver, disperso
no teu canto sentido, a dor que avulta
dia a dia ... O secreto, íntimo mal,
que é presente e invisível no teu verso,
como o perfume de uma flor oculta
como Deus na grandeza universal! ...
Tasso da Silveira
in Poemas
Obrigada pela visita.
Volte sempre.
julho 24, 2012
O QUE ME DÓI NÃO É
O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão…
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
Fernando Pessoa
In ‘Cancioneiro’
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão…
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
Fernando Pessoa
In ‘Cancioneiro’
ALBERT CAMUS
Amar é...
sorrir por nada e ficar triste sem motivos
é sentir-se só no meio da multidão,
é o ciúme sem sentido,
o desejo de um carinho;
é abraçar com certeza e beijar com vontade,
é passear com a felicidade,
é ser feliz de verdade!
Albert Camus
sorrir por nada e ficar triste sem motivos
é sentir-se só no meio da multidão,
é o ciúme sem sentido,
o desejo de um carinho;
é abraçar com certeza e beijar com vontade,
é passear com a felicidade,
é ser feliz de verdade!
Albert Camus
Agradeço sua visita.
Volte sempre e comente!
julho 23, 2012
julho 22, 2012
ESPELHO II
O
espelho sujo
deforma a imagem: do rosto.
Não o rosto
diante do espelho.
Porque o espelho dentro do rosto
é inimigo apropriado.
Eterno e breve.
Transcende a convivência consigo mesmo
e o tempo marcado.
O espelho dentro do rosto
como o rosto espesso, diverso, esparso,
estúpido, estranho,
é estrune do tempo
e ouro da morte.
Lindolf Bell
In ‘Código das Águas’
deforma a imagem: do rosto.
Não o rosto
diante do espelho.
Porque o espelho dentro do rosto
é inimigo apropriado.
Eterno e breve.
Transcende a convivência consigo mesmo
e o tempo marcado.
O espelho dentro do rosto
como o rosto espesso, diverso, esparso,
estúpido, estranho,
é estrune do tempo
e ouro da morte.
Lindolf Bell
In ‘Código das Águas’
LIMITES DO AMOR
Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeça de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.
O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:
- ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.
Ele quis morrer para arrasar a morte e voltar.
Affonso Romano de Sant’Anna
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeça de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.
O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:
- ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.
Ele quis morrer para arrasar a morte e voltar.
Affonso Romano de Sant’Anna
Agradeço sua visita.
Volte sempre e comente!
julho 21, 2012
IMPROVISO
Minha canção não foi bela:
Minha canção foi só triste.
Mas eu sei que não existe
Mais canção igual àquela.
Não há gemido nem grito
Pungentes como a serena
Expressão da doce pena.
E por um tempo infinito
Repetiria o meu canto
- saudosa de sofrer tanto.
Cecília Meireles
In Retrato Natural
Minha canção foi só triste.
Mas eu sei que não existe
Mais canção igual àquela.
Não há gemido nem grito
Pungentes como a serena
Expressão da doce pena.
E por um tempo infinito
Repetiria o meu canto
- saudosa de sofrer tanto.
Cecília Meireles
In Retrato Natural
CANTATA VESPERAL
CERRAI-VOS, OLHOS, que é tarde, e longe,
E acabou-se a festa a festa do mundo:
Começam as saudades hoje.
Longos adeuses pelas varandas
Perdem-se; e vão fugindo em mármore
Cascatas céleres de escadas.
Pelos portões não passam mais sombras,
Nem há mais vozes que se entendam
Nas distâncias que o céu desdobra.
As ruas levam a mares densos.
E pelos mares fogem barcas
Sem esperanças de endereços.
Cecília Meireles
In Retrato Natural
E acabou-se a festa a festa do mundo:
Começam as saudades hoje.
Longos adeuses pelas varandas
Perdem-se; e vão fugindo em mármore
Cascatas céleres de escadas.
Pelos portões não passam mais sombras,
Nem há mais vozes que se entendam
Nas distâncias que o céu desdobra.
As ruas levam a mares densos.
E pelos mares fogem barcas
Sem esperanças de endereços.
Cecília Meireles
In Retrato Natural
julho 20, 2012
ENIGMA
Decifrar teus olhos
é como ler em pergaminhos
uma escrita desconhecida,
é como ler na superfície
do mar
um navio enterrado,
o segredo das conchas.
Decifrar teus olhos
como se teus olhos fossem
o lado oculto da lua.
Roseana Murray
In Recados do Corpo e da Alma
é como ler em pergaminhos
uma escrita desconhecida,
é como ler na superfície
do mar
um navio enterrado,
o segredo das conchas.
Decifrar teus olhos
como se teus olhos fossem
o lado oculto da lua.
Roseana Murray
In Recados do Corpo e da Alma
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