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março 22, 2012

RENÚNCIA



RENÚNCIA

Renunciar. Todo o bem que a vida trouxe,
toda a expressão do humano sofrimento.
A gente esquece assim como se fosse
um vôo de andorinha em céu nevoento.

Anoiteceu de súbito. Acabou-se
tudo... A miragem do deslumbramento...
Se a vida que rolou no esquecimento
era doce, a saudade inda é mais doce.

Sofre de ânimo forte, alma intranqüila!
Resume na lembrança de um momento
teu amor. Olha a noite: ele cintila.

Que o grande amor, quando a renúncia o invade
fica mais puro porque é pensamento,
fica muito maior porque é saudade.

Olegário Mariano





Retrato de Olegário Mariano, por Cândido Portinari

OLEGÁRIO MARIANO
(1889-1958)

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, poeta, diplomata, deputado federal e constituinte, nasceu em Recife, Pernambuco, Estreou na vida literária aos 22 anos com o volume Angelus, em 1911. Segundo os biógrafos da Academia Brasileira de Letras, da qual foi membro, “sua poesia lírica é simples, correntia, de fundo romântico, pertinente à fase do sincretismo parnasiano-simbolista de transição para o Modernismo. Ficou conhecido como o "poeta das cigarras", por causa de um de seus temas prediletos


Obra literária: Angelus, 1911; Sonetos, 1912; Evangelho da sombra e do silêncio, 1912; Água corrente, 1918; Últimas cigarras, 1920; Castelos na areia, 1922; Cidade maravilhosa, 1923; Ba-ta-clan, 1924; Canto da minha terra, 1930; Destino, 1931; Teatro, 1932; Vida, caixa de brinquedos; O enamorado da vida, 1937; Da cadeira 21, 1938; Quando vem baixando o crepúsculo, 1945; A vida que já vivi,1945; Cantigas de encurtar caminho, 1949; Tangará conta histórias, 1953; Correio sentimental; Toda uma vida de poesia, 2 volumes, 1957.

Fonte: Site Antônio Miranda

março 21, 2012

Para os erros há perdão...


"Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

Luis Fernando Veríssimo

março 20, 2012

O que tem de ser...




"O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem. Tudo volta! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser. Acontece que entre o ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde. Não se perca, viu?"

Caio Fernando Abreu

Às vezes é preciso




"Às vezes é preciso diminuir a barulheira, parar de fazer perguntas, parar de imaginar respostas, aquietar um pouco a vida para simplesmente deixar o coração nos contar o que sabe. E ele conta. Com a calma e a clareza que tem."
Caio Fernando Abreu

março 14, 2012

E quando a tempestade tiver passado...




“E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa: Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”

(Haruki Murakami)

março 13, 2012

UM PÔR DE SOL




UM PÔR DE SOL

A natureza se transforma lenta!
Fica o ocaso mais rubro! Mais bonito!...
O sol, na sua marcha sonolenta,
Mergulha na janela do infinito!

Tudo é silente! Nem sequer um grito
Se escuta pela tarde pardacenta...
O mundo todo torna-se esquisito
E a noite desce plácida e friorenta!...

O sol com os raios seus já sem fulgores,
No desespero dos seus estertores,
Solta um beijo de luz, tinge o arrebol!...

O poeta fica no delírio imerso!
Contemplando os mistérios do universo
No quadro divinal de um por de sol!


Jansen Filho
In: Obras Completas

março 12, 2012

Jardim Perdido




Jardim Perdido

Jardim em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão,

A verdura das árvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava,
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.

A luz trazia em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidade e suspensão.

Mas cada gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possível e perdido.

Sophia de Mello Breyner Andresen

março 11, 2012

LÁGRIMAS OCULTAS




LÁGRIMAS OCULTAS

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca

março 09, 2012

No momento





No momento em que o amor enraíza
Deixa-se de ser o que é
Para viver pela pessoa amada.
Tanto,
que onde quer que se vá,
o que quer que se faça,
há sempre um quê de seu gosto
apontando o caminho a seguir,
o que fazer...


Luiz Carlos de Oliveira

março 07, 2012

MADRUGADA


MADRUGADA

No seu leito de plumas alvejantes 
 Feito de nuvens brancas de algodão 
 O sol ainda dorme repousante 
Mergulhado na paz da imensidão.

O silêncio é completo. E ofegante 
 A madrugada se estremece, então;
 No sepulcral silêncio extasiante 
 Nem um gemido ecoa na amplidão.

A estrela Dalva vagarosa, lenta, 
 Brilha do espaço sideral da altura 
 Num gesto vislumbrante de magia.

E nesta apoteose se apresenta, 
 Da passarada, um coro de doçura 
 Que vem saudar o despertar do dia.

Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

março 06, 2012

Fosse a pedra só...





[...]Fosse a pedra só, e seria desolação, deserto. Mas a vida cresceu sobre a pedra – e vieram os pássaros, as borboletas, as abelhas, os pequenos animais. Coitada da pedra! É inútil reclamar. A vida e a beleza crescem sobre ela, a despeito da sua mesmice pétrea. As sementes – frágeis - são mais fortes que a pedra – dura.

Rubem Alves

janeiro 15, 2012

...e ela ainda está lá


...e ela ainda está lá, meu pai,
com todo o brilho de antes,
como eu a via, há tanto tempo atrás.

Me fez lembrar meu caderninho,
onde escrevia sonhos e rabiscava ilusões.

E você estava lá. Na nossa vida.
Uma presença tão grande,
como grande hoje é a saudade.

De repente, olho para o céu,
e vejo aquela estrela brilhante -
aquela mesma - que me fez sonhar.

... e hoje, meu pai, acordei de vez:
- ela é a mesma! Sempre esteve ali.

Nós é que mudamos. Você partiu. A ficha caiu.
O tempo está no mesmo lugar e nós...

...passamos por ele, perdendo pelo caminho
o encanto, o brilho e os sonhos.
E encontrando no hoje, só saudade.


Regina Helena

janeiro 08, 2012

Vidas Paralelas





Vidas paralelas

Seguias o teu caminho e eu, o meu:
- Direções opostas, linhas paralelas...
O meu amor te chamou,
e vieste viver comigo,
na loucura do impossível,
essa paixão insana...

Como em imagem de sonho,
eu te vi partir.
Sair da minha vida e voltar à realidade,
ao lugar que é teu...
Embora como louco o meu amor gritasse,
eu não pude te conter!

Seguiste o teu caminho e eu, o meu:
- Direções opostas, linhas paralelas:
“Infinitamente separados”!

Regina Helena

janeiro 04, 2012

MEU CORAÇÃO


MEU CORAÇÃO

O triste coração que eu trago é tão velhinho
E tanto tem amado, e tem vivido tanto,
Que não suporta mais o fogo de um carinho,
Nem de outro coração o cálido quebranto.

Às vezes, alta noite, ouço-o chorar sozinho,
Do meu peito escondido ao último recanto,
Assim como quem sente a dor de algum espinho
Que o fere, e quer leni-la, ao afoga-la em pranto.

É ele! É o coração tristíssimo, que chora
De saudade de alguém, que o fez antegozar
Um grande, um santo amor, e que se foi embora.

E escuto-o palpitar, tão leve, que parece
Um ser que sente frio, e treme, a murmurar,
Num soluço infinito, os restos de uma prece...

Alceu Wamosy
In: Poesia e Prosa



Agradeço sua visita. 
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dezembro 21, 2011

Amor-perfeito


Amor-perfeito
(para AJ)


A mesa posta, em linho e prataria...
As velas... Não! Bastava-me o luar.
Nas taças de cristal, minha alegria...
Com rosas, demarquei o teu lugar.

Vesti-me rendilhada de poesia,
em meu cabelo, estrelas a brilhar.
Fiz do cio da noite a melodia,
para nossos sonhares embalar.

E o tempo foi tecendo seus segundos...
Em doces ilusões, percorri mundos,
onde um amor-perfeito floresceu.

Porém, nunca ocorreu tua chegada...
E agora, alcanço o fim da caminhada
sem conhecer o amor que julguei meu!

- Patricia Neme -

dezembro 19, 2011

ún entre sombras y lejanía...


Imagem do Blog Colibri

ún entre sombras y lejanía pudo descifrar que sus labios modulaban un verso pausado en un idioma que a juzgar por su fervor, bañaba su sangre, palabras para nadie más, solo para un ave, que como un secreto descuidado compartió la magia de una ilusión con las alas que deseaban abrazar sus orillas, pues de aquel poema en sus labios mudos, sentí que a pesar de ser un amante en silencio, ambos besábamos el anhelo de un amor en el reflejo de los pensamientos


colibri

dezembro 06, 2011

Sou Imprecisão


Sou algo impreciso,
decerto um ritmo
que a distância segrega,
decifrando saudades

Ou o outono
deixado na esquina
do tempo que se move
entre incontáveis dias
deixados por ti

Sou pensamentos desfeitos,
sem gestos ou palavras,
alheios e impessoais,
que a nada responde
e que em mim descansa


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 06/12/11
Código do Texto: T3375286

Veredas


Ao amanhecer,
onde nossas almas se entrelaçam,
o tempo leva a insônia
misturada a imensidão
que abrigou meu coração

O sol de um novo dia
surge nas veredas,
claro e evidente
como a saudade
coberta de sorrisos

E pelos teus olhos
ajoelham-se as luzes,
de um outono em festa
onde adormeço
como um gomo de sol


Conceição Bentes
Publicado no Recanto das Letras em 05/12/11
Código do Texto: T3374101

novembro 19, 2011

MORTE... VIDA...



MORTE... VIDA...

Se existe um amanhã... Um "logo mais"...
Quem sabe, onde a certeza do momento?
Viver, morrer... É tudo tão fugaz...
Efêmero... Qual é o pensamento.

Se agora, aqui... Em breve o corpo jaz
em meio ao canto triste do lamento.
Os sonhos... São entregues ao jamais...
Os planos... Perdem-se em esquecimento.

O Agora é tua vida, teu instante,
traze bem junto a ti quem é distante,
quem dá sentido a tu'alma, ao teu amor.

Pois só o amor conduz à eternidade,
o mais... O mais é vão, tola vaidade,
que em si traz o vazio, angústia e dor!

- Patricia Neme -

novembro 09, 2011

contigo


nas brumas do escuro mar
ou nas areias frias de um deserto
num breve segundo, a eternidade
nas tristes sombras da saudade
impensada dor da minha treva

depois, de tão cansada caminhada
de solitária dor, alma sofrida
pelos caminhos rudes desta lida
contigo, em meus braços, minha vida,
...impensada luz da minha treva

reginahelena
(sem verbo)