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julho 08, 2009

Um canto de solidão


Um canto de solidão

Dentro de mim há um canto de saudade
que teima em invadir meu coração.
Ainda que o mundo inteiro
esteja ao meu redor, ele está comigo.
Tento fingir que não o ouço
e o calar me assusta,
pois o que me sustentará se a saudade se for?
Insensato coração
que aceita a loucura dessa dor.
Sinto um grito que não ouço
quando meu corpo me pede paz
e ouço o canto do silêncio
que fala mais alto e teima em estar comigo
em forma de saudade.
Noites insones, medo, lembranças...
Essa é a angústia desesperada do meu ser:
- O abandono dos que se perdem
para nunca mais se encontrar.

Regina Helena

junho 27, 2009

E NUNCA MAIS EU TE VI

Pintura: Washington Maguetas e nunca mais eu te vi... restou somente a lembrança do olhar da furtiva lágrima que caiu enquanto tentavas disfarçar restou apenas a promessa - feita para não ser cumprida - de que ainda nos veríamos restou a dor do caminho percorrido consciente de que não haveria volta... restou a saudade daquele último instante, da despedida, do adeus disfarçado de até logo... ... e nunca mais eu te vi Regina Helena

junho 23, 2009

NUCA MAIS

Quando sobre nós desaba o peso da saudade, 
 nuvens escuras anunciam a solidão 
e a tristeza nos envolve num manto de desesperança. 

É o fim que chega trazendo a dor e o peso de duas palavras 
que insistentemente martelam em nossa mente:
 
 - Nunca Mais
 
 Nunca mais a espera, a expectativa da volta... 
nunca mais o aperto de mão cheio de fidelidade 
 Nunca mais o gesto carinhoso, o afago, 
o incentivo amigo. nunca mais o teu sorriso,
 as histórias do teu amor perdido 
 Nunca mais, outra vez a dor de te perder! 

 Regina Helena 
(Para nosso amigo Edil, em 22/06/2009)

junho 06, 2009

SOLIDÃO SEM FIM

SOLIDÃO SEM FIM

 Luar lá fora... 
 E em meu rosto, lágrimas em cântaros! 
 Diante de mim, na noite enluarada, 
 cheia de brilhos e encantos, 
 a minha última esperança: 
 - Teu vulto por aquela estrada! 

 Silêncio... Solidão... E um angustiado coração... 
 Esperançoso, desencantado... 
 E por fim... Nada, apenas o abismo... 
 Da dor e da saudade! 

 Regina Helena

abril 23, 2009




EVIDÊNCIA
(Genaura Tormin)

No silêncio
Lamentos tardios
E escusas do que se foi.
O cérebro confunde
Os desejos esquecidos.

O tempo está parado,
O vento não encanta,
Como outrora,
Porque as flores
Já não exalam perfumes.

Não há espera...
Ela não é necessária.
Os dias são normais.
O querer se foi
Com o entardecer
Numa revoada de pássaros.

Mesmo assim,
Eu sinto frio.
Tudo está tão só!
No silêncio,
Respostas de perguntas
Feitas ao nada.

abril 18, 2009

O CORTEJO


O CORTEJO

e então, seguíamos na longa caminhada pasmos, lívidos ante a dor medonha... e em nosso rastro, a solidão da noite a nos contemplar, sombria e muda! parecíamos zumbis, calados, tristes... entre um suspiro e outro, a dor se revelando... e a noite, parecia só nossa, calma, cúmplice... mas, nunca curva qualquer desse caminho, pessoas em festa! um cão latindo, crianças brincando! casais sorrindo! gritos de alegria. Dança! Eles não veem a nossa dor passar? não sabem que o céu desabou sobre nós e a terra se abriu e nos deixou sem chão? Como podem viver, se a morte passa?!!! e então, em meio à dor, o entendimento! o inexorável, o inevitável fim, vem para todos! mas naquele dia, era a nossa vez, e a dor, só nossa! regina helena

abril 15, 2009

Do amor que eu tive

Tela por Maria Sherbinina

Do amor que eu tive
(Genaura Tormin)

Quando a saudade invadir teu peito,
Saias ao desalento do tempo,
Numa noite fria.

Parceira,
Terás a lua medrosa
A passear no céu,
A carícia do vento
A beijar-te o rosto
Ainda marcado
Pelos beijos meus.

No silêncio da noite
Ouvirás sussurros.
Não te assustes!
Sou eu!

Estarei no lamento da cotovia,
Na tristeza da cascata,
No chilchear de aves notívagas,
Para recordares
Do grande amor que te ofertei um dia.

abril 08, 2009

Feliz Páscoa


Nesta Páscoa,
Vou enviar a todos
Um montão de flores,
De todas as cores,
Para significar mudança,
Aumento da esperança...

Numa cesta de vime,
Envolta em sorrisos,
Enfeitada de estrelas,
Seguirão ovos de chocolate,
Recheados de mil desejos.
Sonhos, magia e beijos.

Uma melodia falará de amor.
Quem sabe,
John Lenon me ajudaria
A bordar os versos,
Desenhar a poesia
Para tudo transformar
Em laços de amor e alegria.

Genaura Tormin

abril 02, 2009

VIVER...

Tela de Jean Leon Gerome

VIVER...

Viver é inventar o seu dia
É desconhecer a arrogância
Exalar energia
Fazer poemas de amor
Devolver sorrisos

Glória Dantas

VIVER...


VIVER...

Viver é acreditar no bem
Enfeitar o coração com cores
Conquistar amigos
Transformar dor em alegria
Ter amor, de coração
Inspirar justiça.

Glória Dantas

março 31, 2009

MARIPOSAS COMPANHEIRAS



Seguimos a mesma rota,
Feito pássaros alados
Borboleteando o espaço,
Almejando o topo do mundo.

Somos mariposas companheiras
Buscando a claridade!
Somos as nossas verdades
Tentando ascender o porvir,
Na construção de nós mesmos,
Para depois seguir.

Genaura Tormin

março 29, 2009

Um pouco de ti...


Nada sei de ti, nunca te vi,
nem ouvi tua voz.
Imagino teu hálito de mate e vinho,
tua exuberante alegria
se opondo à quietude da tua vida.
E, em matizes contrastantes,
ora menina que sonha,
ora mulher que chora,
tens alma etérea, fugidia...
Como o vento!
E coração ardente e forte...
Como o Sol!
Linda imagem de Senhora,
de infinitos silêncios...
E infinita sabedoria!

Regina Helena
(para minha amiga gaúcha, Maria Madalena)

EU TE AMO


Imagem: Jevan, no açude Castanhão

Como um raio de luz que invade as trevas,
entraste em minha vida.
E eu, sobrevivente do medo e da dor,
reconheci em ti o meu anjo,
aquele me conduziria pela mão
para uma vida mais amena.

Chegaste de mansinho, timidamente,
e aos poucos, foste conquistando espaços,
até que te tornaste o dono de todos eles.
Substituíste com tua presença
a escuridão da minha vida pela luz da tua.

E eu, rica do teu amor e pobre de mim mesma,
apenas te dou a certeza do que,
sempre te amei... E te amarei
para todo o sempre!

Regina Helena

março 28, 2009

SEMEAR



Nuvens alvissareiras
No céu sem limites.
Na bagagem:
O sol matreiro,
A chuva dengosa,
O silêncio dos montes,
Flores e fontes,
O aconchego da noite...

Amplidão cósmica,
Beijos aninhados
No perfume da brisa,
No lamento da saudade...
Tudo é liberdade,
Paz,
Felicidade.

Pássaros viajores
Permeiam a paisagem,
Semeando a ternura do afago,
Doce transparência da imagem.
E a oração se faz
Na doçura do olhar,
No desejo de amar,
De ser bom,
De multiplicar...

Genaura Tormin,

MUNDO DE FANTASIA


Sonhei que a vida era diferente.
Cheinha de coisas boas, muita alegria,
Bondade e sabedoria.
E as pessoas eram contentes.

Vivendo a minha fantasia,
Fechei os olhos e vi, por um momento,
Os prados, as flores e o firmamento
A comungarem conosco a harmonia.

Sonhei com a dignidade,
E vi os mendigos abrigados,
Bem vestidos e alimentados,
No exercício da cidadania.

Era um mundo de magia,
Sem dor, sem fome, sem horror.
Somente a voz do amor,
Essência holística da sabedoria.

Genaura Tormin

março 27, 2009

E O VENTO NÃO LEVOU MESMO!


Um tornado arrancou portas,
Matou sonhos, abalou desejos,
Revirou a casa, modificou costumes...
Levou os passos andejos.

No canto da vida, tudo quebrado,
Esfacelado no peito da agonia.
Sem conserto para tanto desmantelo,
A tristeza fazia companhia.

Mas o tornado passou!
E o vento não levou a bravura,
A coragem para reconstruir,
Reinventar passos, alar a mente,
Conquistar vida e seguir em frente.

E o que era uma casinha,
É hoje um castelo à beira da estrada,
Cheio de versos, de alegria,
Na fantasia da jornada.

Genaura Tormin

AMIZADE VIRTUAL


Configurada em bites,
Fluem as palavras,
Em códigos grafados.
Dedilhados no teclado,
Anima a tela quadrada
Do computador.

Acreditar e sorrir!
Ver o humor se agigantar.
Sentir-se feliz.
Agradecer a amizade,
E tentar retribuir,
Bordando a tela de cores,
Para multiplicar amores.

Tantas trocas afetivas,
Carinhos somados,
Tristezas divididas,
Numa mesinha solitária
No canto da sala.

Não há classe social,
Nem grife na vestimenta...
Isso não é necessário!
O que importa
É o ombro amigo,
No cultivo da felicidade,
Entre os elos da virtualidade.


Genaura Tormin

março 26, 2009

MASMORRA FRIA


Abri hoje a caixa
Do meu passado!
Muitas lembranças,
Imagens guardadas,
Perpetuadas em fotografias
Já amareladas,
Envelhecidas.
Um caminho de volta!
História de uma vida!

Um filme que se rebobina
Na mente conturbada,
Rodeada de fantasmas.
São restos de alegrias
Enclausurados em celas,
De uma masmorra fria.
Arcabouços de estrutura vazia
Que fenece no tempo.
Para renascer um dia.


Genaura Tormin

março 24, 2009

TENHO O CORAÇÃO EM FESTA


TENHO O CORAÇÃO EM FESTA
(Genaura Tormin)

É manhã aqui!
Um gosto de aconchego
Ainda me enlaça a cintura.
Teu rosto em mim esculpido,
Estampa-se em tudo que vejo.
O nevoeiro cobre a colina
E acaricia-me a pele,
Ainda molhada pelos teus beijos.

Envergonhado,
Nasce o sol no horizonte.
Sonolento,
Rompe brumas e escarpas,
Boceja intimidades,
Com gosto de fruta madura.

Solfeja votos de bonança,
Bordando a copa do arvoredo
De raios multicores.
Canta para me açoitar o medo,
Acalentar tantas juras,
Guardadas aqui no peito.

Há uma sinfonia no ar.
Os pássaros saltitam nos galhos.
Parecem me saudar.
Tenho o coração em festa.
É místico poder amar!

LUTO


LUTO
(Genaura Tormin)

Não há conserto
Para tanto desmantelo,
Nem oficina
Achará o defeito.

Inútil!
Nada a fazer!
Ciclo encerrado,
Porta fechada.
Tudo arqueja no tempo,
E o relógio não pára.

As mãos seguem vazias,
E por companhia,
Um passeio fúnebre
Conta a história,
Em desbotada policromia.

Foram-se os devaneios,
A lira, a fantasia,
Os versos e a canção.
Luto é o que resta.
Morto está o CORAÇÃO!