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março 12, 2009

ISSO É TER ALEGRIA



ISSO É TER ALEGRIA
(Genaura Tormin)

Alegria, é estar vivo,
Integrando o universo,
Ter uma família,
Fazer um verso.

É ter um lar, um amor,
Cultivar uma flor...
É ter uma digna ocupação.
Ser honesto, praticar o bem,
Ter amor no coração.

É poder renascer a cada dia,
Ter sonhos, ter harmonia.
Marcar o trajeto com bonança,
Encantar-se com o sorriso da criança,
Acreditar no porvir,
E ter esperança.

Alegria é ter o coração aberto,
Sincero, sensível, enamorado.
É extasiar-se diante da vida,
Da natureza florida...
É ouvir uma música,
As baladas do vento no temporal,
O zumbido das abelhas,
Os refrulhos sonoros de um riacho...
Uma declaração de amor.

É ser valente, ser contente,
Livre para agir.
Saber que Deus está presente.
É poder servir!

Ver o céu bordado de estrelas,
A lua a vagar no firmamento,
A terra molhada, a passarinhada...
É ter coragem, ter sentimento.

É poder correr pelas colinas,
Soltar pandorgas ao vento,
Subir às árvores,
Perseguir cometas e arco-íris,
Fazer poesia,
Falar de encanto, de magia,
Cantarolar um hino de paz!
Isso é ter alegria!

NESGAS DE SAUDADE


NESGAS DE SAUDADE
(Genaura Tormin)

Quanta saudade daquele tempo!
Dos verdes anos lá na fazenda...
Do sol nascendo na serra,
Qual bola de fogo
Dissipando a escuridão.
O mugido do gado,
O copo de leite no curral...
Ah, quanta saudade!

E o dia da pamonhada,
Dos mutirões...
Todos ouriçados,
Parentes e vizinhos,
Amigos aos punhados.

Verdes campos.
Natureza em festa,
Onde as gotas de orvalho tremulavam
Nas cores do arco-íris,
Aos albores da aurora,
Orquestrada pela passarinhada.

As espigas de milho,
Feito bonecas de cabelos ruivos,
Ao açoite do vento,
Dançavam no verde salão do milharal,
Regidas pelo alarido das maritacas.
Era uma tela pintada nas cores da esperança,
Por isso era tanta bonança...

Laboriosos,
Todos compartilhavam alegres, festivos,
Cantando modas de viola,
Enquanto preparavam as roliças pamonhas,
De doce, de sal,
À moda, com lingüiça, pimenta e queijo...
O paladar aflorava o apetite,
Com o cafezinho quente,
Torrado na roça e moído na hora,
Do jeito lá do sertão.

Quanta simplicidade,
Quanta vida!
Quanta solidariedade
Capaz de aumentar afeto,
Enflorar corações
No laço gostoso da amizade.

TUDO PASSA


TUDO PASSA
(Genaura Tormin)

Esforço insano
Ao baixar o pano
Desse palco!
Atores moribundos,
Esquecidos nas curvas
Da memória,
No lento vagar
De águas turvas,
Encapeladas de agonia.
Risos sarcásticos!
Falta a alegria!

Tudo,
Que um dia
Foi um arco-íris,
Bordado de luz e vida,
Hoje são restos de verdades,
Retalhos de amor,
Fragmentos de amizade...

Desbotados,
Quase amarelados,
Perecem sob o açoite do vento,
Do sol causticante,
Que matam vagarosamente
O enlevo de amor
Que havia entre a gente.

SAUDADE GASTA



SAUDADE GASTA
(Genaura Tormin)

Aqui estou
Da espera tão cansada!
Os anos passaram
E ainda guardo
O gosto do primeiro beijo,
A frase feita,
A rua estreita,
O verso inacabado,
Que eu não pude te entregar.

Há cicatrizes
De um amor sem jeito,
Escondido aqui
No meu peito,
Eternizado num simples retrato
Desbotado,
Já desfigurado,
Que me aguça a lembrança
Numa saudade gasta,
De uma paixão bandida,
Esmaecida na esquina do tempo.

O AMOR QUE NÃO TE DEI


O AMOR QUE NÃO TE DEI
(Genaura Tormin)

Neste compartimento atrasado,
Arraigado por valores ultrapassados,
Sobram tantos desejos guardados,
Acovardados aqui.

Os riscos que não quis correr
Latejam em mim.
A lágrima escondida,
Ainda queima.
O sentimento recluso,
A poesia que rasguei,
São feridas exangues
Que nunca te contei.

Cativo, trancado, rebelde, danado,
Jaz todo o amor que não te dei,
Por covardia, talvez.
Agora, já nem sei.

AS FLORES FALAM



AS FLORES FALAM
(Genaura Tormin)

Flores estampam amor,
Carinho,
Gratidão...

Enfeitadas de sorrisos,
De olhares de ternura,
Calor de beijos,
Mãos entrelaçadas,
Segurança de abraços,
Parecem falar.

Multicores,
Mensageiras,
As flores brancas hasteiam a paz,
as rubras cantam o amor,
em botões escarlates,
Declaram a paixão,
O arroubo,
A entrega.

Às vezes,
Machucam,
Fazem chorar...
Lembrando dores,
Saudades,
Amores olvidados,
Esquecidos num lugar qualquer do passado,
Esmaecido no tempo
Que não volta mais.

COMEÇO DO FIM




COMEÇO DO FIM
(Genaura Tormin)

O tempo está inerte,
O sorriso não vem
E pulsa descontrolado
Um coração cansado.

Não há vida no ar,
Nem espera,
Porque é o limite da hora,
O começo do fim.

O querer morreu.
Esfacelado está o sentimento
No vazio do nada.
E no silêncio,
Apenas
Uma lágrima de mulher.

MEDITANDO


MEDITANDO
(Genaura Tormin)

Dia comprido,
sem sol,
Sem flores,
Sem amores.

Frio no tempo,
Cansaço,
Espera,
Loucura,
E na alma,
O muito que apavora.

Em tudo,
A saudade que castiga,
A lâmina que fere,
O frio que aumenta,
A lágrima que cai
E a dor do irreversível.

março 11, 2009

CRISTAL QUEBRADO


CRISTAL QUEBRADO
(Genaura Tormin)

Náufraga de sonhos,
Tenho saudades de mim mesma.
Guardiã estática
De uma performance em cacos,
Já não sei quem sou.

Quebrou-se o cristal!
Incendeiam-se restos de esperanças,
Multiplicando a inércia dos instantes.
A solidão se faz...
Sonho frustrado.
Permito-me o impossível
Porque as portas me fascinam.

Vivo emoções do tempo que se foi.
Das derrotas,
Guardo o aprendizado.
Não fujo de nada!
Nada em mim petrificado está.
Há muito sentimento,
Ainda.

Mergulho nos meus cantos,
Escudo-me na coragem,
Pois inteira sou
Para esta viagem seguir..

AO RIO ARAGUAIA


AO RIO ARAGUAIA
(Genaura Tormin)

Você, que corre sereno,
e a natureza floresce,
formando ilhotas tão lindas,
que a nossa alma enaltece,
oh! querido Araguaia,
você parece uma prece.

Os nossos olhos vagueiam
nas águas desse gigante,
envolto em orquestra mil
e gorjeios delirantes
de revoadas de pássaros
e por-do-sol ofegante.

É a tela mais bonita
feita pelo Criador,
com desnudo matizado
mesclado de aroma e cor,
que se banha em suas águas
num espetáculo de amor.

Oh! meu querido Araguaia!
Pedaço de coração,
regaço de leite e mel,
berço de emoção,
orgulho do chão goiano,
versos de minha canção!

Delírio



Pensei, houvera a nuvem da incerteza,

toldado o brilho claro das estrelas;

mas, no rolar da lágrima, a crueza:

é a dor – e dói de um tanto... – a enublecê-las.



É a dor que se mantém no céu acesa,

tal contas de cristal; como não vê-las?

Ou céu é minha dor, numa ardileza

das lágrimas – buscando ser estrelas?



Mas pode haver no céu tamanho inferno?

Teu nome são os anjos que murmuram,

quando mais a saudade me lacera?



Ou há de ser, no meu loucor eterno,

o céu, um paraíso onde amarguram

os sonhos, de quem vive em vã espera?





- Patrícia Neme -

VERDES ANOS, DOCE PRIMAVERA



VERDES ANOS, DOCE PRIMAVERA
(Genaura Tormin)

Encontrei entre guardados,
Uma fotografia antiga, amarelada,
Testemunha solitária que ainda me restou.
De saudades, extravasei-me em lira,
Fechei os olhos e viajei no tempo,
Senti-me criança no pensamento:
Pés descalços, subindo às árvores,
Colhendo flores...

Quantas brincadeiras, quantas gargalhadas,
No vozerio estridente da meninada.
Inocência da infância risonha e bela!
Fase tão bonita de minha vida!
Verdes anos, doce primavera!

O grupo escolar, a professora,
A capelinha da Serra,
A festa de São João,
A fogueira acesa na noite sem véu,
Sob a lua faceira,
Que se exibia no alto do meu céu.

Como era feliz e não sabia!
O mundo era todo meu.
Cabelos soltos, vestido de chita,
Na gostosura de saber-me bonita.

A vida era colorida, um jardim florido!
Regado pelo tamborilar da chuva fria,
O cantar do galo, da passarinhada,
Em lindos concertos para alegrar o dia.

O aroma da brisa nas tardes sombrias,
Em que o sol vazava as folhagens dos arvoredos,
Para rendilhar o chão batido,
Bordando imagens, nossos folguedos,
Reacendem-me queixumes doloridos,
Aprisionados no coração, em total degredo.

Foi-se aquele tempo...
Retratos desbotados no sacrário das lembranças.

ABRACE-ME!


ABRACE-ME!
(Genaura Tormin)

É agora,
Quando menos mereço,
Que preciso desse silêncio,
Desse querer cumpliciado
Para secar-me o pranto,
Abrandar-me as falhas.

Silêncio é prece,
É carinho dividido.
É o amor que exalta,
Que perdoa no gesto do sorriso,
Nos braços que amparam...
É disso que preciso.

Significa grandeza,
Espírito evoluído.
Não me deixe sangrar,
Não me deixe sofrer!
Tenho tantas feridas!
Muitas, ainda exangues
Ao escárnio da vida.

QUEIRA-ME COMO SOU



QUEIRA-ME COMO SOU
(Genaura Tormin)

Chega de exigências!
Embora saiba
Que faz parte do amor.
Não me retalie,
Não me recrimine.
Já tenho marcas
Que o tempo me legou.

Estou carente,
Não fique a me ofender,
Pois não sou perfeita.
Deixe-me ser idiota.
Sou gente!
Tente entender.
Veja a essência,
O esforço que faço
Para vencer.

Tenho muitos defeitos,
Mas tenho coragem, valentia,
E um coração
Que é só poesia.
Queira-me como sou!

FAUNA DE SONHOS


FAUNA DE SONHOS
(Genaura Tormin)

O tempo levou-me os sonhos,
Tantas esperanças,
Retratados em desejos mil,
Na fértil imaginação de criança.
Como era feliz e não sabia!
Sem máscaras, sem disfarces...
Apenas eu mesma: sorriso escancarado,
Correndo ao vento,
Aos píncaros dos folguedos do meu tempo.

No céu talhado de nuvens,
Bordava as fantasias
Com os flocos dançarinos de algodão.
E as mágicas aconteciam,
Em carruagens, reis e rainhas,
Príncipes e lagos encantados.

Foram-se os anos, tão rápidos, tão velozes,
Até que me descobri adulta.
Vi, com tristeza,
Que o sol havia mutilado as nuvens,
Os flocos de espuma, a fauna de sonhos,
Esconderijo dos meus desejos.

Em troca, restaram-me meras coisas,
Sem formas, vazias,
Dispersas em fumaça, em dores,
Que poluíram o azul de minha vida.
O horizonte, nem sei se existe mais.
Quisera ter impedido o sopro do vento.
Quisera ter retido as nuvens do meu tempo.


SOLIDÃO




E tanta a dor que arranha e me lacera,
e tanto o amor que em mim, hoje extertora...
Senhor, eu enlouqueço nessa espera...
O peito se desfaz... Minh'alma chora.

Eu sonho, busco, tento.. E só quimera
encontro no soar de hora por hora;
e a solidão repica, é cruel fera
que rasga corpo e a mente, em dor, penhora.

Saudade, solidão... O que é a vida?
Por quê esta existência é tão sofrida?
Por quê não há resposta, não há paz?

A paz de ter um colo, um aconchego...
Por quê só hei de ter, enfim, sossego,
quando alguém escrever: Ela aqui jaz!

- Patrícia Neme -

março 09, 2009

DESEJO




E quando os olhos teus beijam meu corpo,
trazendo, à minha noite, a luz d´aurora,
e as tuas mãos percorrem meus segredos...
Todo um desejo ardente em mim aflora.

E quando teu respiro me entontece,
e o teu gemido por entrega implora,
teu cheiro, forte, macho, me abre os poros,
endoidecida, rogo: Vem, agora!...

Todo universo dorme em alva cama,
onde o sentir se faz perene e clama
pelo arquejar das forças animais.

Um gozo, tanto, explode em liberdade,
nos faz trilhar o chão da eternidade...
E, num rugir supremo, eu peço “Mais!”

- Patrícia Neme -

A VALSA


A VALSA


Ele veio silente, o luar a trazê-lo,
um sorriso fagueiro reinando no olhar.
“Uma valsa? “, propôs. Aceitei seu apelo...
- Todo baile eu ousara tal gesto esperar.

Abraçou-me a cintura, com terno desvelo,
tal se eu fora cristal do mais fino vibrar.
Em meu peito a ventura de, enfim, conhecê-lo,
me fez leve qual brisa soprada do mar.

Ante o chão carpetado com gotas de orvalho,
o céu pleno de estrelas, num rútilo pálio...
conivente, o destino, o relógio parou.

Entre beijos, promessas... Ditosa loucura!,
todo o amor que eu vivi, desde sempre, à procura,
na magia dos sonhos comigo bailou!

- Patrícia Neme -

FILHO MEU


FILHO MEU
(Genaura Tormin)


Qual semente em terreno fértil,
Foste plantado,
Num ato de amor sublimado.
Carreguei-te no ventre por muitas luas,
Muitas manhãs de mistérios...
Amei-te com todas as forças do meu coração.
Éramos unos, cúmplices.
Dei-te a minha vida!
Alimentei-te com a seiva do meu ser,
Do meu carinho,
E agradeci ao Criador de Vidas.
Era eu a mais feliz das mulheres!

No final de um domingo de março,
Vieste ao mundo em meus braços.
Pude ver teus olhos brilhantes!
Uma vida em minhas mãos!
Esculpi na alma a história de nós dois,
E hoje a decanto em versos,
Rimas de felicidade,
Por sermos mãe e filho
Nesse mistério da eternidade.

O tempo passou veloz,
Tornando-te um homem.
Os anos desnudaram-te os muitos valores!
Quanta dignidade!
E agora, qual ave de arribação,
Com o teu próprio vôo cruzas o espaço!
Demarcas o território
Para carpir sonhos e plantar amores.

Estás mais longe, além do horizonte.
Nos rigores do tempo, no frio das madrugadas,
Talvez não possa secar-te as feridas,
Aconchegar-te no calor das minhas asas,
Ou as alegrias contigo festejar.
Mas vives no meu coração, no meu pensamento,
E em todos os momentos,
Entrego-te a Deus, FILHO MEU!

ESTRELA-GUIA

ESTRELA-GUIA
(Genaura Tormin)

Minha mãe!!!
Como sinto a tua falta!
Há muito não habitas na terra,
Embora tua imagem etérea
Viva no meu coração.

A gente nunca pensa que as mães podem partir,
Mudar-se para outra dimensão.
Hoje também sou mãe.
Sei como dói um filho ausente.

Teus olhos azuis, o sorriso grande,
Tento encontrar por onde ando.
É dolorido confirmar a todo instante,
Que não estás aqui.
Perdoa-me pelas ausências,
Pelas vezes tantas que te magoei,
Pelos sonhos que de ti roubei...

Eras e ainda és a minha estrela-guia!
“SEGUE, FILHA, QUE MUNDO É TEU!”
Como a dizer que o destino a gente cria,
Fazendo-me seguir com alegria.
É acalento a possibilidade
De ir ao teu encontro qualquer dia.

Os anos avançam,
E mesmo de cabelos brancos
Sinto-me criança.
Resta-me a esperança
De ainda poder deitar-me em teu regaço,
Esconder-me nos teus braços,
E deixar rolar o pranto.