6 de jan de 2013

UMA ARMADILHA NO PEITO



Em madrugadas, vagamente obscuras,
descrevo sombras longínquas,
que perseguem a minha sombra.
Os mais premonitórios sulcos noturnos
brilham-me nos pés.
Uma armadilha no peito relembra
a exata adolescência das pálpebras,
quando exibia, no sorriso,
a luz da primavera.
Era menina e havia nos meus olhos tanta fé
que, nem o céu nem o mar excediam,
em grandeza, o meu olhar.

Graça Pires,
in Não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos


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