30 de ago de 2012

SAUDADE



Saudade - O que será... não sei... procurei sabê-lo
em dicionários antigos e poeirentos
e noutros livros onde não achei o sentido
desta doce palavra de perfis ambíguos.

Dizem que azuis são as montanhas como ela,
que nela se obscurecem os amores longínquos,
e um bom e nobre amigo meu (e das estrelas)
a nomeia num tremor de cabelos e mãos.

Hoje em Eça de Queiroz sem cuidar a descubro,
seu segredo se evade, sua doçura me obceca
como uma mariposa de estranho e fino corpo
sempre longe - tão longe! - de minhas redes tranquilas.

Saudade... Oiça, vizinho, sabe o significado
desta palavra branca que se evade como um peixe?
Não... e me treme na boca seu tremor delicado...
Saudade...

Pablo Neruda

In Crepusculário

Um comentário:

  1. Olá!
    Não sou uma profissional na poesia, eu apenas leio e sinto. Admiro os grandes poetas e os que ainda não são.
    Mas essa poesia Saudade, a entendo da minha forma de sentir saudade de um tempo e pessoas, que já não fazem mais parte da minha vida.E ela as vezes doi ou me fas rir.
    Belissíma poesia, você fes uma linda escolha.
    Adorei vir aqui e já estou a te seguir.
    Felicidades.
    http://wwwavivarcel.blogspot.com.br

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