18 de dez de 2012

A SOLIDÃO E SUA PORTA



Quando mais nada resistir que valha 
a pena de viver e a dor de amar 
E quando nada mais interessar 
(nem o torpor do sono que se espalha) 

Quando pelo desuso da navalha 
A barba livremente caminhar 
e até Deus em silêncio se afastar 
deixando-te sozinho na batalha 

Arquitetar na sombra a despedida 
Deste mundo que te foi contraditório 
Lembra-te que afinal te resta a vida 

Com tudo que é insolvente e provisório 
e de que ainda tens uma saída 
Entrar no acaso e amar o transitório. 

Carlos Pena Filho

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