10 de jul de 2012

PAIXÃO



Paixão da vida já ida,
paixão da vida,

toda me cruzaste acesa
na pungência, na aspereza

de lâminas, Paixão da vida
que à morte incita e convida

a caminhar sob o ardor
de um gosto de exausto amor.

Que à noite leva e destrói
e malbarata e, se dói,

dói como um insulto ou murro
e, em silêncio, é mais que um urro.

É mais que o fogo cremando,
mais que o fogo devastando,

paixão da vida tenaz,
um pobre e temido , mas

adversativamente posto
como um sorriso num rosto

retorcido em tetania.
Paixão que devora, fria,

cruel, feroz, insensata,
e crê salvar, quando mata.

Alphonsus de Guimaraens Filho
In Discurso no deserto

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