22 de jul de 2012

ESPELHO II



O espelho sujo
deforma a imagem: do rosto.
Não o rosto
diante do espelho.

Porque o espelho dentro do rosto
é inimigo apropriado.
Eterno e breve.
Transcende a convivência consigo mesmo
e o tempo marcado.

O espelho dentro do rosto
como o rosto espesso, diverso, esparso,
estúpido, estranho,

é estrune do tempo
e ouro da morte.

Lindolf Bell
In ‘Código das Águas’


3 comentários:

  1. Lindo mesmo! que bom estar aqui, blog muito bonito.
    Um abraço.

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  2. Gostei muito, mas é no reflexo
    do espelho que me vejo em versos
    reversos e descontinuos...Abraços

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