8 de jun de 2012

SAUDADE




Saudade! A alma curou-se da ferida:
Mas quantas cicatrizes na lembrança!
Passa no ar uma queixa dolorida
E há um véu por tudo quanto a vista alcança.

Horas de sombras: o cortejo avança ...
Saudade! Filigrana entretecida
Com fios de ouro e prata, que a esperança
Deixa por todos os sarçais da vida.

Longe, no campanário abandonado,
O sino dobra, lúgubre. Uma prece
Sobe do coração para o passado.

A tarde morre, misteriosa e calma.
Vão-se as últimas asas. Anoitece.
O sino cala-se. Anoitece a alma ...


Heitor Lima
in Primeiros Poemas

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