6 de ago de 2010

O DIA EM QUE DEUS ADEUSOU-SE


O DIA EM QUE DEUS ADEUSOU-SE

…Quando Deus adeusou-se por inteiro
Fez os poetas, as musas e as rosas.
Ao cabo do sétimo dia
Deus atirou pra cima e no escuro.

Na lona celestial
Abriu goteiras de estrelas
E o rombo brilhante do luar.

Jessier Quirino
De Cumpade pra Cumpade




JESSIER QUIRINO

Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no ano de 1954 na cidade de Campina Grande, Paraíba e é filho adotivo de Itabaiana também na Paraíba, onde reside desde 1983.

Filho de Antonio Quirino de Melo e Maria Pompéia de Araújo Melo e irmão mais novo de Lamarck Quirino, Leonam Quirino, Quirinus Quirino e irmão mais velho Vitória Regina Quirino.

Estudou em Campina Grande até o ginásio no Instituto Domingos Sávio e Colégio Pio XI. Fez o curso científico em Recife no Esuda e fez faculdade de Arquitetura na UFPB – João Pessoa, concluindo curso em 1982. Apesar da agenda artística literária sempre requisitada, ainda atua na arquitetura, tendo obras espalhadas por todo o Nordeste, principalmente na área de concessionárias de automóveis.



Na área artística, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras.

Preenchendo uma lacuna deixada pelos grandes menestréis do pensamento popular nordestino, o poeta Jessier Quirino tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias, que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, côcos, cantorias músicas, piadas e textos de nordestinidade apurada.

Dono de um estilo próprio "domador de palavras" - até discutido em sala de aula - de uma verve apurada e de um extremo preciosismo no manejo da métrica e da rima, o poeta, ao contrário dos repentistas que se apresentam em duplas, mostra-se sozinho feito boi de arado e sabe como prender a atenção do distinto público.

Nos espetáculos com fundo musical, apresenta-se acompanhado de músicos de primeira grandeza, entre os quais, dois filhos, que dão um tom majestoso e solene ao recital. São eles: Vitor Quirino (violão clássico), André Correia (violino) e Matheus Quirino (percussão). Os músicos Letinho (violão) e China (percussão) atuam nos espetáculos mais elaborados.



Apesar de muitos considerá-lo um humorista, opta pela denominação de poeta, onde procura mostrar o bom humor e a esperteza do matuto sertanejo, sem, no entanto fugir ao lirismo poético e literário.

Sobre Jessier, disse o poeta e ensaísta Alberto da Cunha Melo: "...talvez prevendo uma profunda transformação no mundo rural, em virtude da força homogeneizadora dos meios de comunicação e das novas tecnologias, Jessier Quirino, desde seu primeiro livro, vem fazendo uma espécie de etnografia poética dos valores, hábitos, utensílios e linguagem do agreste e do sertão nordestinos. ... Sua obra, não tenho dúvidas, além do valor estético cada dia mais comprovado, vai futuramente servir como documento e testemunho de um mundo já então engolido pela voragem tecnológica."


POR ELE MESMO

"Eu sou um prestador de atenção. Observo as coisas com olhos e faro de rastrejador e vou escolhendo palavras para colocar na minha poesia, nos meus escritos."

"Costumo dizer que, pra essas coisas das artes, sou eu e a torre de Pisa: sempre tive inclinação. Tirando as várias modalidades de desenho, que estudei até minha graduação em arquitetura, nunca tive nenhuma formação em artes. A poesia, a música, a literatura, a força cênica, tudo isto, veio aos poucos-pouquinhos e pelas beiras como quem come papa quente.Desde rapazote fazia isso muito à vontade, sempre imprimindo minha marca pessoal: Ou seja, declamava com uma manteiguinha a mais. Era a arma que eu usava para me impor diante dos colegas, aliviando toneladas de timidez. Os livros, que hoje já somam dez, resultaram da sua paixão pela literatura aliada à cultura nordestina"

"Para os meus versos caseiros nunca pensei em encadernação livresca. Somente em 1996 publicamos o primeiro livro "Paisagem de Interior" pelas Edições Bagaço. Tive uma crítica positiva do jornalista Mário Hélio, do Jornal do Commércio, profissional criterioso, e talvez tenha sido este o "lá vem ele!" para que o público leitor atentasse para a chegada de um matuto palavreiro das bandas da Paraíba. Não esperava que minhas costuras literárias, de agulha ferrugenta, fossem ter a repercussão que tiveram."




Obras

* Paisagem do Interior
* Agruras da lata d'água
* O Chapéu Mau e o Lobinho Bom - Infantil
* A Folha de Boldo Notícias de Cachaceiros - em parceria com Joselito Nunes
* Política de Pé de muro - O Comitê do Povão
* Prosa Morena
* Coisa de moleque - Infantil
* Paisagem de Interior 1 e 2 - CD's
* Bandeira Nordestina

Um comentário:

  1. OLÁ!
    JESSIER...GOSTEI DE CONHECÊ-LO.
    VOU EM BUSCA DE NOVAS POESIAS DELE.
    OBRIGADA POR COMPARTILHAR.
    BJS

    ResponderExcluir