12 de ago de 2010

Amanhã

Não me digam que espere, eu quero já.

Cedo era ontem, amanhã é tarde.

Capitão de navios que já não há,

não vou deixar que o tempo me deserde.

Portanto, agora!

Hoje é que eu sou no gume da navalha.

Todo o minuto de outra hora

é a margem-viagem que me falha.

Já é que eu sou – e não me peçam nada

para amanhã, que é tarde.

Larguei todo o meu pano à madrugada,

não vou deixar que o tempo me deserde.

(Torquato da Luz)

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