16 de set de 2009

Poesia sem verbo

Vista de - Cedro, CE onde moramos até Junho de 1970

Quando fomos morar me Crato, em 1970, terminei lá o Curso pedagógico que tinha começado em Cedro. No ano seguinte resolvi entrar para o Colegial, o científico, pra aprender alguma coisa que não fosse fazer carinhas de gatos pra crianças.

A coisa estava difícil e nem sempre a gente tinha dinheiro para lanchar ou comprar cigarros. Nesse tempo eu fumava. Então comecei a fazer alguns trabalhos para os colegas da classe pra ganhar algum dinheiro, mesmo que só desse para o lanche e o cigarro. Com isso eu tinha quatro “clientes” fixos. Ou seja, alem do meu trabalho, tinha que fazer mais quatro.

Fazia coisas tipo redação, que a maioria detestava, e matemática. Tinha uma matéria, geometria descritiva, que era o terror da classe. Ganhei dinheiro fazendo os trabalhos disso também. Não sei se ela ainda está nos currículos escolares.

Certo dia a professora de português chegou com uma novidade. A prova seria uma redação sem verbo! E eu nunca tinha visto falar nisso, mas a vontade de fumar foi maior e peguei logo o lápis e comecei. Meus clientes olharam logo pra mim! rsrsrsrsr Fiz três textos e uma poesia, que ficou com um locutor da Rádio Educadora de Crato, Evandro Bezerra.

Foi a única vez na vida que fiz uma rima! Nesse tempo, como até bem pouco tempo, poesia lembrava rima e eu detestava rimar. Achava que tirava a espontaneidade, tirar uma palavra que você quer, pra colocar uma que combine mais, pra rimar! Não gosto mesmo. No entanto reconheço o enorme valor dos poetas que rimam e ainda assim fazem coisas lindas. Gostaria muito de ter guardado essas coisas, mas como gosto de dizer, nada meu envelhece. Só eu. rsrsrsrrs

Hoje me deu vontade de tentar fazer. Saiu assim:


SOLIDÃO SEM FIM...

Luar lá fora...
E em meu rosto,
lágrimas em cântaros!

Diante de mim,
na noite enluarada,
cheia de brilhos e encantos,
a minha última esperança:
- Teu vulto por aquela estrada!

Silêncio... Solidão...
E um angustiado coração...
Esperançoso, desencantado...
E por fim... Nada,
apenas o abismo...
da dor e da saudade!

Regina Helena

Um comentário:

  1. É, menina!
    Saudade fere e mata!
    É doído querer ver, pelo menos,
    um vulto etéreo pelo mesmo caminho
    que palmilhando um dia.
    Essa possibilidade não existe.
    Apenas é construída na mente desvairada
    e atrevida do poeta.
    Ainda bem que somos poetas.
    Embora que, por um segundo,
    nos veios da poesia,
    voltamos, feito loucos, a um passado distante,
    a um amor esquecido na curva do caminho.
    Meu Deus, como o tempo passa!
    Eu não vi.
    Queria tê-lo retido aqui,
    na palma de minha mão.
    Beijo grandão

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