11 de mar de 2009

Delírio



Pensei, houvera a nuvem da incerteza,

toldado o brilho claro das estrelas;

mas, no rolar da lágrima, a crueza:

é a dor – e dói de um tanto... – a enublecê-las.



É a dor que se mantém no céu acesa,

tal contas de cristal; como não vê-las?

Ou céu é minha dor, numa ardileza

das lágrimas – buscando ser estrelas?



Mas pode haver no céu tamanho inferno?

Teu nome são os anjos que murmuram,

quando mais a saudade me lacera?



Ou há de ser, no meu loucor eterno,

o céu, um paraíso onde amarguram

os sonhos, de quem vive em vã espera?





- Patrícia Neme -

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